“FALTA TALENTO E SOBRA TECNOLOGIA”, DIZ RUBÉN AGUIRRE SOBRE A TELEVISÃO DE HOJE

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“FALTA TALENTO E SOBRA TECNOLOGIA”, DIZ RUBÉN AGUIRRE SOBRE A TELEVISÃO DE HOJE

Mensagem por Admin em Dom 15 Fev 2015, 16:04



“A primeira vez que apareci na televisão, no Canal 10 de Monterrey, me rechaçaram. Mario Quintanilla, o diretor do canal, ao me ver no ar, disse que me via mal: que estava tão grande que nem sequer cabia na tela. É grotesco! Suas mãos parecem luvas de beisebol. Como isso ocorre? Você não serve pata a televisão! Não se dá conta? Veja, vá com o gerente, Juan Garza, e melhor que fique vendendo publicidade”.

As memórias de Rubén Aguirre, o inesquecível Professor Girafales, recentemente editadas no México pela Editora Planeta, são o testemunho de um rechaço que não ficou no não.

Pelo contrário, ainda que o locutor, cronista de touradas, ator e pai de família (teve sete filhos e diz ter plantado mais de mil árvores) nasceu em Saltillo em 15 de junho de 1934, não pôde apagar durante muitos anos o adjetivo de “grotesco”, superou em muito o dito, para se converter, graças ao professor que estava irremediavelmente apaixonado pela Dona Florinda em Chaves, em um comediante de categoria internacional.

Después de Usted é também um livro sobre a história do rádio no México, relato daqueles anos iniciais onde a tecnologia brilhava por sua ausência e tudo o que ia ao ar era fruto exclusivo da criatividade dos locutores.

Entre eles, o mais audaz e sem dúvida engenhoso, Rubén Aguirre, que para matar o aborrecimento quando lhe trabalhava de madrugada, punha-se a inventar radionovelas onde ele fazia todos os sons e vozes.

Estamos em um bonito HOTEL de Puerto Vallarta. Temos um encontro com o Professor Girafales. Amigos e parentes mandam mensagens com saudações, multiplicando uma expressão eterna: “Tá ta ta tá”, expressão inesquecível que o comediante copiou de um velho professor de escola chamado Wenceslao.

“Era um velhinho que era muito bom professor, muito bom homem, mas que quando lhe fazíamos perder a paciência, saía o ta ta ta tá”, contou Rubén.

Aos 81 anos, Rubén Aguirre conserva o vozeirão. Já não caminha, porque um grave acidente automobilístico lhe afetou a coluna vertebral e sua esposa de toda a vida, Consuelo, ficou sem uma perna.

Foram momentos duros para um homem com alma de viajante e que transita entre a charmosa localidade balneária de Jalisco o inverno de sua vida, rodeado de seus filhos, entre eles Veronica, que o ajudou a revisar e corrigir seu escrito.

No prólogo escrito por Armando Fuentes Aguirre “Catón”, primo de Girafales, destaca-se “sua alegria e sua generosidade”.

Alegre e generoso: efetivamente, se mostra durante a longa entrevista para SinEmbargo, onde entre outras coisas tem bonitas palavras sobre Ramón Valdés, o Seu Madruga, um comediante sem par com quem compartilhou cenários, sonhos e amizade.

Para você, quem é o melhor comediante do México?
Cantinflas, sem dúvida.

Mais que Tin Tan?
Tin Tan era mais completo, cantava, dançava, mas fez também filmes ruins. Bom, claro que Cantinflas fez coisas horríveis ao final de sua carreira. De todos os comediantes atuais, o mais inteligente e que mais gosto é Eugenio Derbez. E das mulheres, Consuelo Duval. Como a admiro, que boa comediante ela é! Atrevo-me a compará-la e a dizer que é superior inclusive a Carol Burnett.

Bons comediantes com roteiros frouxos.
Sim, a verdade é que sim. Não há bons escritores de humor na televisão atual. Ou não há escritores, ou não os pagam, algo passa. A tecnologia cresceu muito, mas o talento não seguiu o mesmo caminho. Repetem novelas que foram sucesso há 30 anos, se uma novela triunfa na Argentina, a trazem ao México, mudam duas ou três coisinhas e a montam aqui. Fazem novas versões para não pensar. Falta talento e sobra tecnologia. Para nós custava muito fazer o Chapolin ficar pequeno em nossa época. Eram horas e horas de trabalho do pobre diretor do programa. Agora, com tanta facilidade, fazem voar os atores, os fazem magros, gordos, das maneiras que querem.

Você diz em seu livro que alguns atores se convertem em monstros sagrados e confundem a ficção com a realidade. Roberto Gómez Bolaños foi um monstro sagrado?
Creio que sim. Creio também que se Roberto tivesse nascido nos Estados Unidos e não no México, que Bob Hope, que nada. Nasceu no México e desgraçadamente aqui os trabalhos de ator sempre são mal pagos e mal difundidos.

Em seu livro, não obstante você se anima a discutir algumas coisas…
Éramos tão amigos que me dava a liberdade de discutir algumas coisas. Se tivesse sido só meu chefe, não teria me atrevido. Por outro lado, cada quem busca os problemas. Nem Edgar Vivar nem eu tivemos problemas alguma vez para usar nossos personagens, por exemplo. Eles (Carlos Villagrán e Maria Antonieta de las Nieves) tiveram algumas questões, não sei se em busca de notoriedade ou de ambição, não sei.

Mas você diz em seu livro que o trabalho é de quem o necessita.
Sim, como diz Neruda em “O Carteiro”: a poesia é de quem a necessita. Assim também é o trabalho. E o personagem, o mesmo, não é de quem o inventa, mas de quem o executa e logo o necessita para trabalhar.

Você foi muito amigo de Roberto Gómez Bolaños, mas foi também da Chiquinha.
E de Carlos Villagrán também. Conheci Maria Antonieta de las Nieves quando era quase uma menina. Logo se casou com um locutor amigo meu e eu fui muito feliz. Cada quem tem seu caráter e ninguém tem a culpa de ser como é. Há muita gente tosca, eu não sou. Minha forma de ser busca o menos possível o conflito e se dar bem com todo mundo.

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